quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Sob outro ângulo

Hoje a abreação é rápida! ou não....
Ando pensando em como conforme vamos crescendo, vamos descobrindo coisas que antes não éramos capazes de compreender ou simplesmente nunca havíamos parado para pensar. Como coisas que nossos pais os diziam ou faziam, não necessariamente apenas as proibições, mas certas atitudes deles, até mesmo o jeito, tem um fundamento ou nos parecem mais claras agora.
Com o tempo fui descobrindo que perfeição não existe, e que, por mais magníficos que nossos pais sejam, eles são pessoas como todo mundo e possuem fraquezas e muitas vezes irão precisar de um apoio que nos foi oferecido tantas e tantas vezes quando éramos menores e até hoje. Sem perceber comecei a sentir isso, é algo novo o qual ainda estou me adaptando.
Isso não acontece só em relação aos pais, mas também em relação ao que aprendemos na escola, ao nosso primeiro resquício de consciência política, noções de direitos humanos, sociedade e até mesmo em relação aos sentidos do nosso corpo.
Lembro-me muito de quando aprendia sobre as correntes literárias do Brasil, a época do modernismo, os autores modernistas, Vinicius de Moraes, o movimento tropicalista, etc etc. Eu tinha eles como heróis e intelectuais indiscutiveis, cujas obras era surpreedentementes representantes com louvor do país.
Ums ressalva: não retiro merito de ninguém, nem tenho capacidade intelectual para analisar correntes literarias nem coloco em xeque a importancia de tais autores, escritores e musicos para a época, admiro demais suas obras.
Quero na verdade abreagir destacando como acabamos desconstruido certas imagens antes nos impostas por outras pessoas e vendo as coisas de um outro ponto de vista.
Lembro-me como se fosse hoje a primeira vez que li sobre a Garota de Ipanema, a obra de Vinicius. E esses dias, me deparei com a mesma, dando uma entrevista em um programa de eventos. A mulher é linda, mas é uma dondoca! Nada contra seu meio de vida e sobre seus interesses intelectuais mas, comecei a pensar... Vinicius fez uma musica para uma mulher, ostentando sua beleza, mas confesso que me decepcionei muito ao ver que, um dos nossas mais famosas musicas no exterior, de um autor muito estudado por todos os estudantes deste país falasse desta mulher... não que ela não possa ter uma musica, nem que sua personalidade esteja sendo agredida. Apenas reflito e me pergunto onde está a essência do nosso país?
Somos representados por ( e apenas) mitos da bossa nova, boêmios das décadas passadas que encontraram formas de se manifestar diante dos regimes em que viviam de uma maneira artística. Me pegunto: é só isso?
Lembro me de ver na capa de uma revista Chico Buarque, aquele dos discos da minha mãe, aquele da consciência politica que eu imaginava tão diferente, se pegando com uma menina uns 30 anos mais nova que ele na praia e vendendo sua coleção capitalista de músicas num box de bem mais de 200 reais.
E os Tropicalistas? Gilberto Gil entregue ao PT, com uma filha mais polêmica do que qualquer discussão politica que ele possa ter. E o Caetano que acho que é GAY? Sei lá... acho que esperava demais deles, ou implantaram na minha cabeça algo irreal...
Penso no país, penso se tenho o direito de dizer estas reflexões... Se não estou sendo injusta. Sei que não existem heróis, apenas pessoas que marcaram época, fizeram acontecer em algum momento da historia.
Porém, acredito firmemente que, o devido mérito seja dado a quem merece!
Hoje, na faculdade, estudo pensadores, homens de ideias geniais e me pergunto como detectamos essa genialidade? Como essa pessoa pode pensar isso e ainda permanecer sendo estudada?
A resposta que encontei foi que, as pessoas realmente geniais conseguem caminhar no tempo, olhar lá na frente, saber mudar, ver que certas ideias podem não caber mais no momento, que temos que nos desprender do passado, e usá-lo apenas como base para desenvolver novos pensamentos, novas ideias, novas acoes. E que, essa flexibilidade seja sempre de modo a não perder a verdadeira essencia que caminha conosco.
Sinto certos vazios em relação ao nosso país. Sei que ninguém é perfeito mas é preciso saber mudar, e me parece que certas pessoas não estão mais cabendo no papel de referências culturais de um país. Confesso que abrindo os olhos para isso, senti vergonha de ter estudado certas coisas e da maneira como me foram passadas. Cabe a nos ver a beleza das obras e sentir as emoções boas que conseguimos ter quando ouvimos ou lemos uma poesia, afinal arte é arte! Porém, é sempre bom estar de olho e sair das amarras da imposição a fim de enxergar novos horizontes que antes talvez não éramos capazes de enchergar.
Impossivel não dar uma politizada no post, afinal estamos em época de eleição... Sinto que comecei mais poética e terminei mais revoltada! Mas não vou mudar... apenas ab reagi! =)

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